Boletim de notícias da IIGS - Abril de 1999
Passei várias horas escrevendo um discurso para uma classe na faculdade. Nessa noite, sentei-me na classe, à espera da minha vez de fazer o discurso. Um dos meus colegas levantou-se, foi para a frente da classe e eu preparei-me para ouvir. Ele mal tinha começado quando senti um nó no estômago, que se transformou em nausea à medida que ele continuou.
As palavras que lhe saiam da boca eram minhas! Há uns anos atrás eu tinha produzido uma publicação turística para o concelho. Todos os artigos naquela publicação tinham sido escritos por mim, embora o meu nome não aparecesse em nenhum deles.
O discurso do meu colega foi, palavra por palavra, o artigo que eu tinha escrito para a primeira página da publicação turística. Claro que não havia possibilidade de ele saber que tinha sido eu a escrever o artigo. Mas sabia que alguém teria sido.
E ele apresentou-o como sendo dele. O meu colega foi culpado de plágio---o roubo da propriedade intelectual.
No seu artigo para The Global Schoolhouse, "Acerca de plágio e pixels," a professora Diane Christian Boehm escreve que "os estudantes não compreendem o conceito de propriedade intelectual, ou não reconhecem a seriedade com que a comunidade académica encara o plágio."
Boehm diz que os seus alunos normalmente não compreendem "a integridade académica," nem compreendem que o plágio é mais do que a cópia de palavras---é também a cópia de uma ideia sem dar crédito ao criador da ideia.
Os alunos de Boehm tem bastante companhia.
Na edição de Outubro de 1998 de Purdue News online, compilado por Beth Forbes, Stuart Offenbach diz que a Internet criou um novo monstro, "neste momento não há nenhuma forma de protecção electrónica que evite que qualquer pessoa copie o que está no seu site. Com alguns cliques, poderá 'escrever' os clássicos."
As instituições académicas foram sempre as principais disciplinadoras no que concerne ao plágio. E faz sentido que assim seja, porque o seu objectivo é o de promover o pensamento original e creativo. Nas academias e universidades, o plágio é tratado com tolerância-zero---se fores apanhado és expulso.
No artigo, Offenbach compara o plágio ao rapto. "Para o autor," escreve ele, "é o mesmo que raptar uma criança; não há nada mais precioso, para um escritor, do que a sua própria prosa."
Infelizmente, nem o plagiário considera este furto como um crime de grandes proporções, nem é este assunto tomado a sério fora dos meios académicos. Os autores vêm-se sem recursos de natureza criminal---não podem apresentar uma queixa à polícia local. Só podem pôr uma acção através dos tribunais civis.
A Internet facilitou o plágio sem consequências. Professores, catedráticos e editores queixam-se que o roubo literário se tornou difícil de localizar.
Evitar o plágio é bastante simples:
- Sempre que utilizar, no seu trabalho, uma cópia exacta de um texto de outrém, ponha-o entre aspas;
- Não parafraseie; use o texto original;
- Cite as fontes, dando crédito ao autor e à publicação.
Os genealogistas não estão isentos de plágio. Em pelo menos 20 sites, um membro da IIGS encontrou o seguinte:
- Acquisição de terras
- Aquisição de terras (E.U.) Quem concedia terras? A América era uma 'terra nova,' considerada como infinita em tamanho, e apresentava uma situação inédita no que dizia respeito à acquisição de terras. Para instigar o crescimento das colónias, a concessão de terrenos era um chamariz . . .
Há aqui um ponto importante a considerar. Os autores destes sites não violaram os direitos de autor, se o texto acima foi copiado de um site pertencente ao governo dos E.U. (Na maior parte dos casos, os trabalhos da autoria do governo dos E.U. não estão sob a protecção da lei dos direitos de autor). No entanto, pelo menos 19 sites estão em transgressão. E mesmo o governo dos E.U. pode ser vítima de plágio.
O caso é o seguite: se a propriedade intelectual (que não se limita a trabalhos literários e pode incluir outro género de trabalhos como os gráficos, fotografias, ou arte) for publicada na página web, sem o devido crédito ao autor, implica que o autor da página é o criador do trabalho ali publicado. Se não for este o caso, o autor da página web é culpado de roubo intelectual.
Demasiados utilizadores da Internet hoje em dia comentam "E depois?"
Esta atitude não tem ética. O roubo da propriedade intelectual é errado, e é fraudulento reivindicar a posse de algo que não nos pertence.
Os genealogistas devem perguntar a si mesmos se podem confiar na exactidão da informação encontrada em sites da autoria de pessoas que copiam o trabalho de outrém, sem dar o devido crédito ou pedir a devida permissão.
Pode ser que os dias de plagiar à labúrdia estejam a acabar. Há já pelo menos uma companhia que descobriu maneira de apanhar os utilizadores que roubam os sites da Internet, e que está a oferecer os seus préstimos a academias e universidades. E o professor de uma academia é o autor de uma software que detecta o plágio online.
Portanto plagiadores, tenham cuidado!