IIGS Logo Boletim de notícias da IIGS - Abril de 1999
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Retornemos a ética à genealogia
Por Barbara A. Brown, babrown12@optonline.net


Nota da editora: O ano passado, Barbara A. Brown, membro da IIGS™ autorizou a publicação, no Boletim de Notícias da IIGS™ de Agosto de 1998, do artigo "Eu quero," uma obra de caracter humorístico. Pouco depois de ter visto a luz do dia neste boletim, este mesmo artigo foi de novo publicado, em duas listas electrónicas, sem o consentimento prévio de Barbara ou da IIGS™. Desde essa altura, a Barbara tem tido em conta quantas vezes (e em que estado) tem este artigo aparecido, sem autorização, noutras publicações. Barbara diz-nos que até hoje, o artigo foi "enviado para 56 listas de correio electrónico, para vários "newsgroups" e imprimido (em papel), em pelo menos 5 boletins informativos de sociedades genealógicas. Na maior parte destes casos, o artigo foi publicado sem qualquer referência ao autor. Noutros casos incríveis, outras pessoas declararam ser os autores, e houve quem modificasse o texto - adicionando a lista dos nomes da sua pesquisa."

Este caso de plágio e violação dos direitos de autor de que a Barbara foi vítima, é perturbante por duas razões. A Internet é a causa de inúmeras ocorrências de ambos. Nos círculos genealógicos online, o plágio e a violação dos direitos de autor representa um dos lados de uma espada de dois gumes. O outro é a proliferação de genealogias não documentadas ou mesmo falsas.

Uma genealogista experiente, Barbara compartilha conosco, neste artigo, quais são alguns dos perigos da genealogia online. Ela pede também que retornemos à prática da genealogia responsável e ética.


Factos, evidência, boatos. Credibilidade, suposições, documentação, citações. Fontes preliminares, conclusões prova.

Há um certo número de publicações, muitas disponíveis através da Internet, que ensinam como ser um Genealogista Responsável.

A maior parte delas não menciona o ponto mais importante.

Ser um Genealogista Responsável requer mais do que o livro de William Strunk "Os elementos do estilo", ou o livro de Elizabeth Shown Mills "Evidência! Citações e análises para o historiador da família."

Ser um Genealogista Responsável é ser honrado justo, e verdadeiro, respeitar os seus antepassados apresentando um retrato verdadeiro e completo do que foi a sua existência, ser honesto para com os seus colegas genealogistas, reconhecendo a sua contribuição para a sua pesquisa, e ser incansável na procura dos dados concretos e da verdade.

Se acredita que pode encontrar uma linhagem completa e verdadeira nalgum site mágico, pode crer que foi meramente vítima da "praga da Internet".

Muitas das informações genealógicas que encontra online são secundárias ou pior. As informações online, quando muito, fornecem-lhe indícios a ser verificados - ou podem fazê-lo andar à procura do Zé das calças pardas. E o que é pior, acreditar nestas informações pode impedi-lo de produzir uma genealogia digna de crédito, confirmável e honesta. Presta um mau serviço aos seus antepassados, se perpetuar informações erradas encontradas por acaso.

Já é mais que tempo, e pertinente, advertir os outros dos perigos da genealogia encontrada na Internet.

Entristece-me e assusta-me, ver o número de pessoas que acredita que, se está na Internet seja qual for o formato, é "dominio público" - é verdadeiro - e pronto a usar.

Há tempos fiz um estudo de uma família do sul. Amassei uma base de dados bastante grande, dando crédito a todos os que para ela contribuiram. Habitualmente compartilhava os dados com todos os que se mostravam interessados. Tenho, nestes últimos anos, recebido mensagens electrónicas de pessoas que pesquisam esta família, e que incluem, como sendo deles, secções completas que são, sem sombra de dúvida, as minhas. Por exemplo, as minhas anotações e a grafia que eu usei num determinado nome, são indícios de que a informação foi copiada. Quando lhes pergunto onde arranjaram a informação, a resposta é sempre um vago "algures na Internet". Ninguém tentou verificar ou adicionar algo ao que eu escrevi, niguém procurou dar o justo crédito ao que estão agora a pretender ser seu e, aparentemente, ninguém se importa.

Há um site contributivo, onde pessoas alojam na rede vários pedaços de informação, resumido e transcrito por eles. O mediador do site, há meses que luta para rejeitar as "contribuições" de pessoas que fotocopiam e digitalizam listas publicadas, ou aqueles que simplesmente copiam listas a granel, de outros sites da rede. Surprendentemente, essas mesmas pessoas defendem o plágio com a lei dos direitos de autor - "é informação - e portanto é domínio público e é permissível publicar online desde que o formato seja diferente."

O aparecimento dos GEDCOMS e das histórias de família em CD-ROM, ou nos vários sites de acesso a pagar, deu lugar à suposição errada de que qualquer coisa publicada na Internet é verdadeira e constitui uma "fonte de informação" válida. Tenho tido conversas memoráveis no IRC (Retransmissão de bate-papo na Internet) onde um genealogista com meses de experiência me disse, com orgulho, ter pesquisado até aos anos 1200 - "e todas as fontes de informação estão anotadas." Cheguei à conclusão que todas aquelas fontes eram os CDs do "World Family Tree" e a pesquisa limitou-se a descobrir os antepassados da pessoa que enviou os dados para o CD e adoptá-los como seus. Conversei com outros que conseguiram descobrir todas as vezes que o seu sobrenome aparece na rede e, no entanto, não foram capazes de encontrar um único site, dos muitos que oferecem instruções sobre genealogia. Um número incrível de pessoas "completaram" uma família inteira - sem nunca terem posto os olhos num recenseamento, num testamento, numa certidão de nascimento, ou num registo religioso.

Há o site de uma família que consiste exclusivamente de dados digitalizados, e provenientes de apenas uma fonte - um livro que desde há muito é escarnecido pelos genealogistas profissionais como tendo bastantes erros. Não há qualquer menção, no site, do facto de que a fonte de toda a informação ali contida veio de um só livro - e certamente não há qualquer menção do facto de que há folhas de serviço militar erradamente atribuídas a vários "soldados da guerra revolucionária".

Tenho visto centenas de pessoas cuja fonte principal de "pesquisa" é o livro da história de um concelho o qual, naturalmente, foi escrito por contribuintes ansiosos por glorificar os seus antepassados. Muitas vezes, pouca informação factual existe, que possa confirmar algumas das alegações.

Um exemplo, no sul do país contém alguns erros que bradam aos céus, e que são cuidadosamente copiados e aceites como verdadeiros. Quando eu lhes chamo à atenção para o facto que, nos dados incluídos na sua ascendência, há uma família onde a mãe morreu nove anos antes de o primeiro filho nascer, respondem-me, irritados, que a "história do concelho XXX" diz que isto é verdade.

E o que espanta é que há livros similares a serem compilados neste momento - para os quais as pessoas contribuem, com entusiasmo, as suas pesquisas incompletas e não confirmadas.

A Internet é um lugar maravilhoso, mas evidentemente que não é o sítio para conduzir uma pesquisa genealógica a sério.

É de importância vital, que todos os que souberem um pouco de como fazer a pesquisa genealógica, continuem a remar contra esta onda opressora de pesquisa de má qualidade, ou desonesta, e de continuar a tentar ensinar os que nos ouvirem.


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Revisto: 18 de Març de 2003